Parque Agrário

O bairro do Traviú – localizado a noroeste do município de Jundiaí, a 60 km da cidade de São Paulo, no sudeste do Brasil –  constitue um exemplo de integração entre a paisagem agrícola e a cultura local que, a partir da imigração italiana, tem sido o cenário de sucessivas transformações que refletem sobre a paisagem por mais de 100 anos.

Um Parque Agrário para o bairro do Traviú, em Jundiaí [SP]: Identidade e Cultura como alavancas do desenvolvimento local

O bairro do Traviú – localizado a noroeste do município de Jundiaí, a 60 km da cidade de São Paulo, no sudeste do Brasil – constitue um exemplo de integração entre a paisagem agrícola e a cultura local que, a partir da imigração italiana, tem sido o cenário de sucessivas transformações que refletem sobre a paisagem por mais de 100 anos.

Referência das fotos no Texto completo do Artigo.

 

O objetivo deste trabalho é avaliar o desenvolvimento local a partir da atividade agrícola, associando-o à paisagem cultural resultante, e cotejar os conceitos urbanísticos que orientaram a formação do bairro com os de um Parque Agrário europeu, tomado como elemento indutor da ordenação territorial. Três questões essenciais estruturam o presente estudo:

  1. A produção de uva no bairro do Traviú traduz uma Arquitetura Rural distinta?
  2. Se ela traduz, pode ser estudada, e ainda associada ao cultivo da uva e ao patrimônio (cultural e ambiental) correspondente?
  3. Seria possível encontrar um equilíbrio na composição da paisagem cultural do Traviú capaz de responder às diferentes funções do espaço rural, e de reforçá-las, sem prejudicar nenhuma delas e agregar valor ao planejamento regional visando um desenvolvimento sustentável?

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O enfoque da pesquisa trata a paisagem do bairro do Traviú a partir dos conceitos de “Arquitetura Rural” propostos por Argollo Ferrão (2004) para a caracterização da paisagem cultural do interior paulista conformada pelo complexo cafeeiro, destacando-se a coevolução entre os processos culturais e os processos produtivos existentes num mesmo território,a fim de reconhecer-lhe a conformação espacial.

Trata-se de enxergar o bairro do Traviú a partir da ocupação de imigrantes italianos no final do século XIX, coma consequente introdução da viticultura na região, como agentes resultantes e ao mesmo tempo indutores dos processos de ordenação territorial, gerando riqueza e patrimônio associados. Ao final se estabelece uma pertinente comparação com os parques agrários europeus.

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A integração entre processos culturais e produtivos permite estabelecer parâmetros de análise do desenvolvimento local. Há que se descrever a Arquitetura Rural do bairro do Traviú, a partir dos quatro níveis (ou escalas de aproximação) propostos por Argollo Ferrão (2004), promovendo-se a construção do contexto em que essa arquitetura foi gerada, dentro do espaço de produção da uva, refletindo a mudança dos atores sociais num permanente processo de co-evolução que, consequentemente, promove sua própria mudança de função, caracterizando a auto-recorrência e a veracidade dos seus processos.

Para a compreensão da Arquitetura Rural no bairro do Traviú, é necessário analisar os quatro níveis de abordagem, que são:

  1. Nível regional
  2. Nível da unidade produtiva
  3. Nível da edificação e do maquinário
  4. Nível do patrimônio agro-ecológico

De acordo com Argollo Ferrão (2007), para se analisar esses níveis de abordagem, há que se lançar mão da ideia de sistema espacial expressa por Milton Santos (1996), que sugere que o conhecimento real de um espaço não se dá pelas ‘relações’, mas pelos ‘processos’ que nele se realizam o que remete à ideia de tempo, e assim, ao se verificar os quatro níveis (ou escalas de aproximação), pode-se atingir o objetivo de analisar a região através de seus processos produtivos, e verificar, se os padrões de produção que traçaram o perfil da arquitetura e do patrimônio correspondente, são coerentes.

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A concepção de um parque agrário segue a linha de pensamento esquematizada na Figura 1. É absolutamente necessário que os agentes envolvidos compreendam o processo como um todo. Associam-se as ideias de patrimônio (como uma coleção de elementos que possuem valor), gestão, turismo e agricultura, ao contexto de sustentabilidade do desenvolvimento regional, porque tais ideias, quando reconhecidas e assimiladas por toda a comunidade, são capazes de promover equilíbrio. Porém, ressalta-se que a criação de um parque agrário só faz sentido se, por meio de uma ação conjunta, a comunidade local entender e abraçar a proposta, o que enaltecerá sua sensação de pertencimento. Assim se pode promover o engajamento dos trabalhadores e o envolvimento da comunidade local, salientando o necessário respeito ao meio ambiente e, é claro, buscando o desenvolvimento econômico. A comunidade pode, ao encampar o projeto de um parque agrário, se mostrar organizada.

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Um dos aspectos positivos resultantes do projeto de um parque agrário é fixar uma boa imagem como modelo e referência regional, principalmente por induzir o desenvolvimento sustentável e contribuir para com o bem-estar da comunidade. Esse tipo de projeto gera fluxos de processos que podem, não apenas alavancar o desenvolvimento regional, mas também proporcionar o respeito da população pelos bons resultados alcançados por seus governantes.

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A gestão inteligente de um parque agrário se converteu num importante instrumento de promoção econômica, com resultados expressivos, como é o caso do Parque Agrário do Baixo Llobregat, em Barcelona (Espanha), o qual, por meio de ações conjuntas entre sindicatos, prefeitura e universidades, apresentou aspectos metodológicos para a ordenação territorial, respeitando todos os agentes envolvidos e, principalmente, valorizando o meio rural de um grande centro urbano.

A essência do conceito de parque agrário consiste na gestão de ações para promover a continuidade da atividade agrícola em unidades territoriais bem definidas como um marco de sustentabilidade integrada para a economia dos agricultores, para o meio ambiente e para a harmonia entre o urbanismo e o meio natural (SABATÉ BEL, 2004). O conceito de parque agrário dá a dimensão de como as áreas agrícolas periurbanas podem interagir com as cidades ao estabelecer novos protocolos de comunicação entre os sistemas territorial urbano e rural (BRAGA, 2011).

Post: Rede Conpadre / Fotos: Referência das fotos no Texto completo do Artigo

Data: 30/01/2018

Autores do artigo:

André Munhoz de Argollo Ferrão

Campinas [SP], Brasil – <argollo@fec.unicamp.br>.

Engenheiro Civil, Arquiteto e Urbanista, Doutor em Arquitetura e Urbanismo, Professor Livre-Docente da FEC / UNICAMP. Coordenador do Labore – Laboratório de Engenharia de Empreendimentos – Departamento de Recursos Hídricos / Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo / UNICAMP. Campinas [SP].

 

Luci Mehry Martins Braga

Jundiaí [SP], Brasil – <l.maerhy@terra.com.br>.</l.maerhy@terra.com.br>

Engenheira Sanitarista, Mestre  em Engenharia Civil, Doutora em Engenharia Civil. Pesquisadora do Labore – Laboratório de Engenharia de Empreendimentos / DRH-FEC-UNICAMP. Campinas [SP].

 

Para ler o Texto completo do Artigo, procurar em:

https://revistas.unilasalle.edu.br/documentos/Mouseion/Vol4/apresentacao_4.pdf

 

 

 

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